quarta-feira, 30 de maio de 2012

G.E.D.C. Fermedo e Mato

(Arouca) - Fundado em 1981, o Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato, é um excelente representante da cultura arouquense, mais especificamente das Freguesias de Fermêdo e São Miguel do Mato. É membro efectivo da Federação de Folclore Português.

Além da sua atuação habitual, participa de inúmeras representações quanto as formas de trabalho agrícola, como as espadeladas do linho e a malha do centeio. Carrega para os locais de atuação "à moda antiga", um tear onde uma das componentes mais antigas, trabalhou anos a fio nesta ferramenta e hoje divulga nossa cultura como forma de lazer.

Tem como repertório musical a Rabela, o Vira Velho, o Vira Serrado, o Malhão, a Tirana, a Ciranda entre muitas outras.

Apresenta diversos cantares representando variadas situações do cotidiano, em caráter religioso e também alguns rituais como o carcterístico Ementar das Almas, que merece uma postagem a parte futuramente neste blog.

O Grupo está situado na Casa de Cultura de Fermedo, onde também possui uma biblioteca e um auditório disponível para os habitantes locais no lugar de Cabeçais.


O trabalho empenhado nos últimos 31 anos, seja pela qualidade, como pela quantidade de encenações, coloca o Grupo de Fermedo como um dos melhores representantes da cultura arouquense. As músicas do repertório, são as que mais se adaptam a realidade do início do século XX. As violas braguesas, os cavaquinhos e o bumbo, ditavam o ritmo onde eventualmente aparecia um harmônio a soar as suas notas. O trajar de trabalho com tecidos rústicos, de estopa, serguilha e os trajes domingueiros, possuem características próprias pela proximidade e interferências culturais e comerciais no início do século com a "Vila da Feira", hoje nomeada Santa Maria da Feira.

Segue abaixo o vídeo da "Cana Real das Canas", estreando o perfil do Folclore de Arouca no YouTube. Para acessar, pressione aqui. Esta moda se encontra em nosso tocador de músicas.


terça-feira, 8 de maio de 2012

Lendas da Rainha Santa - A Mula

(Arouca) - A lenda à seguir, refere-se ao falecimento da Rainha Santa Mafalda, no dia 02 de Maio de 1256.

A história é ligada a duas freguesias portuguesas. A primeira freguesia é Arouca, cidade na qual morou a Rainha entre 1217 e 1256. A segunda  localidade é a freguesia de Rio Tinto do Concelho de Gondomar.

"Em uma de suas romarias para a cidade de Rio Tinto, a Beata Mafalda veio a falecer repentinamente. Nesse ambiente de luto e tristeza, iniciou-se uma disputa resolvida de forma peculiar.

Os habitantes de Rio Tinto, queriam que a Beata fosse sepultada nas terras desta localidade. Mas em Arouca a população discordava, pois Mafalda viveu no mosteiro arouquense por quase toda sua vida, além das melhoras econômicas e comunitárias ligadas ao Mosteiro de Arouca.

Neste momento de discórdia, alguma pessoa que não se sabe quem, sugeriu que colocasse o caixão no qual se encontrava o corpo de D. Mafalda sobre a mula na qual costumava viajar. Para onde a mula fosse, seria o local de seu sepultamento.

Ao carregarem a mula com o corpo de Mafalda e seu túmulo de pedra, logo imaginaram  que a mula parasse pelos arredores de Rio Tinto. Milagrosamente não foi isso que aconteceu. A mula seguiu caminho até Arouca. Ao entrar no Mosteiro, repousou esgotada no altar de São Pedro, morrendo logo à seguir."

Túmulo Relicário e Túmulo de Pedra
Esta lenda é interessante por diversos aspectos. Mesmo não sendo considerada Santa pela igreja católica, a Rainha ganhou este "título popular" graças ao esforço de sua mula, e pela vida dedicada a caridade nos tempos do Mosteiro. Vale lembrar que seu titulo perante a igreja católica é de beata, herdado em 1793 pelo papa Pio VI.

Outra divergência encontrada na lenda, é quanto ao local de falecimento de Mafalda. A lenda retrata que a morte aconteceu nas proximidades de Rio Tinto, mas o verdadeiro local de sua morte foi na freguesia de Tuias, concelho de Marco de Canaveses, a aproximadamente 57 km. de distância de Arouca.

Na freguesia de São Nicolau em Marco de Canaveses, existe uma rua chamada "Rua Rainha Dona Mafalda". Mas esta rua por vezes tem ligações com a avó da Beata, que também se chamava Mafalda.

sábado, 5 de maio de 2012

C.E. de Moldes de Danças e Corais Arouquenses

(Arouca) - O grupo que tem por nome "Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses" ou simplesmente "Rancho de Moldes", está situado na freguesia de mesmo nome, Moldes, a aproximadamente 4 km. do Centro da Vila de Arouca.

A sua origem em 1945, funde-se com a origem da Feira das Colheitas. A Europa era depauperada pela IIª Guerra Mundial e em Portugal alastrava a fome e a miséria. A lavoura mergulhava em um enorme precipício.

Pela mão do Presidente do Grémio da Lavoura, António de Almeida Brandão, idealizava-se a Feira das Colheitas. Em todas as freguesias do Concelho, formou-se uma Comissão para incitar os lavradores ao melhoramento do trato das terras e dos gados, com o objectivo de aumentar a produção, mas também, para dinamizar as comunidades para formarem agrupamentos folclóricos que se reuniriam em Setembro, na referida Feira das Colheitas. Como atractivo, instituiu vários prémios que serviram de verdadeiro incentivo. O Rancho de Moldes compareceu fiel das tradições de Arouca.

Desde 1945, que o grupo se mantém em actividade permanente, trabalhando na recolha, preservação e divulgação do folclore e etnografia do Concelho de Arouca, tendo em 1958 adoptado o título que hoje ostenta. É um dos grupos fundadores da Federação de Folclore Português. Actualmente, é membro do INATEL, do RNAJ e da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia.

O grupo divulga também, a polifonia vocal tradicional da região de Arouca, salientando-se os velhos cramóis (canto a três vozes) que são um verdadeiro tesouro cultural, tendo editado um CD de corais tradicionais de nome “Cantas e Cramóis”.

DANÇAS

Arouca viveu durante séculos em um comunitarismo agro-pastoril que lhe era imposto pela situação geográfica e por certo isolamento rural, apenas realizando alguns contactos com o povo duriense e da beira-mar, geralmente por altura das grandes festas e romarias de então, especialmente o Senhor da Pedra em Miramar.
O grupo apresenta danças populares e que são as que se confinam a dois períodos de actividade coreográfica, o de tensão e o de distensão, reguladas por um cantador integrado no suporte rítmico. Tais danças são caracterizadas pela sua serenidade e valseado.

As danças são essencialmente comunitárias e tinham uma função social meramente recreativa sem qualquer significado ritualista, mágico, litúrgico ou religioso, apesar de algumas delas estarem relacionadas com um determinado carácter laboral ou religioso, foram inventadas pelo povo para o seu divertimento.

E o nosso vídeo de hoje, em homenagem a este lindo grupo, é também uma das músicas mais significativas do nosso Concelho, o "Corre-Corre".