segunda-feira, 30 de abril de 2012

Lendas da Rainha Santa - As Pêgas

(Arouca) - Após uma série de postagens sobre a história da Padroeira de Arouca, e a programação da festa que ocorre na freguesia, retornamos ao assunto de carácter folclórico, aquele que estamos mais dispostos a apresentar a todos que aqui freqüentam.

As lendas, fazem parte do universo folclórico, assim como a dança, a música, as rezas, as supertições, as crenças, os contos, os provérbios, o artesanato, os jogos, a religiosidade, os mitos e uma infinidade de outros temas que iremos abordar na continuidade deste espaço. O objectivo deste blog, além de expandir a cultura arouquense, é servir de ferramenta para que os grupos folclóricos se utilizem deste material, para agregar valor a suas representações para a sociedade na qual fará a sua actuação.

AS PÊGAS E A RAINHA SANTA MAFALDA
 
As pêgas são aves que pertencem à família dos corvídeos. Têm plumagem preta com reflexos metálicos, largas manchas brancas, e longa cauda. Chega a ter 50 cms. de envergadura quando têm as asas abertas. Têm um hábito peculiar: fazem grandes ninhos no cimo das árvores, para onde costumam levar objectos brilhantes.

"Diz o povo que no Século XIII, uma freira que professava no Convento de Arouca, entretinha-se a costurar e bordar nas suas horas de lazer junto à janela da sua cela, pois tinha mais luz e beneficiava do calor do sol.

Certo dia deixou o dedal em prata no peitoril da janela. Quando regressou à cela, verificou que o dedal tinha desaparecido. Pensou que ele tivesse caído na cerca do mosteiro, pelo que o procurou, mas o dedal nunca mais apareceu.

Passado algum tempo, a Rainha Santa Mafalda estava a rezar o seu rosário passando os dedos pelo seu valioso terço em ouro. Chamada para resolver um problema, pousou o terço junto à janela. Quando regressou, o terço tinha desaparecido. Procurou-se na cerca do mosteiro, fizeram-se preces e novenas, mas nada do terço.

Decorridos alguns dias, um lavrador da Aborrida (lugar contíguo ao convento), bateu à porta do Mosteiro e veio dizer que tinha visto uma pêga com um objecto brilhante no bico. Contou que lhe atirou com uma pedra porque ela voava baixo, e que a ave com medo, tinha deixado cair um terço. Atendendo ao valor do terço, pensou logo que se tratava dum objecto pertencente a alguém do convento, pelo que o queria entregar.

A alegria foi muito grande no Convento, por ter aparecido o valioso terço. A Rainha Santa Mafalda recolheu-se à sua cela, e quando foi à janela, verificou que um bando grande de pêgas esvoaçava  ruidosamente junto ao seu quarto.

Perante o ocorrido, a Rainha Santa Mafalda não se conteve, e irritada, disse em voz muito alta:

”Eu vos esconjuro suas ladras. Saiam da minha vista e desta terra para sempre”.

Diziam os antigos que, as pêgas quando chegavam aos limites do Concelho de Arouca, sentiam-se impedidas de prosseguir viagem e voltavam para trás. Durante séculos, diziam os nossos antepassados que as pêgas deixaram de existir em Arouca.

Festa em Honra à Rainha Santa - 2012

(Arouca) - Celebra-se no próximo dia 2 de Maio, a Festa em honra da Rainha Santa Mafalda.

Sendo essencialmente uma festa religiosa, a organização está a cargo da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda e da Paróquia de Arouca. 

Criada em 10 de julho de 1886, a Real Irmandade foi uma iniciativa do povo arouquense, para manter em Arouca, todo o legado histórico e cultural que estava instalado no interior do Mosteiro. Nos primeiros estatutos, encontrave-se escrito: "...“o fim da mesma irmandade é promover o culto Religioso da Rainha Santa Mafalda, conservar no maior asceio o tumulo da mesma Santa e a egreja...". A secular devoção do povo de Arouca à Beata Mafalda, constituia motivo suficiente para a criação desta Intituição, que tinha em vista dar continuidade ao culto que lhe era prestado.

Mesmo após os decretos de 1834, que integravam o patrimônio do Mosteiro de Arouca, como "bem nacional", a população não permitiu a retirada do patrimônio. Logo após a morte da última monja, dona Maria José Gouveia Tovar de Meneses em 3 de julho de 1886, as autoridades civís tentaram retirar do convento os objectos de culto. A população levantou-se, considerando este acto uma usurpação e não deixou sair do seu extinto convento os riquíssimos paramentos que o governo alí mandava buscar. Estes paramentos, que ainda hoje fazem parte do espólio do Museu de Arte Sacra de Arouca, tinham como destino as igrejas da Índia portuguesa.

Desde o camponês mais humilde aos clérigos e letrados, todos se reuniram em defesa do património do seu mosteiro. Logo em 1886, no acto da fundação, solicitaram a sua alteza, o Príncipe Real D. Luís, que se declarasse Juiz perpétuo da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca e às instâncias competentes, o diploma que permitisse o uso do termo “REAL”. Esta petição não é ingénua, nem pretendia ser, apenas, uma mera atitude protocolar. Ela invoca, de forma implícita, a protecção régia para a recém criada instituição.

Sendo assim, após séculos de batalhas e proteção a divindade da Rainha Santa Mafalda, comemoramos mais um ano e mais uma Festa em honra a sua santidade, na qual a programação segue logo abaixo:

FESTA EM HONRA DE SANTA MAFALDA

A programação, foi desenhada nos moldes dos anos anteriores, e contará com a presença do Bispo Auxiliar do Porto, D. João Lavrador. Haverá também um concerto de orgão, e a apresentação do "Coral Mille Vocci", interpretando algumas músicas do Cancioneiro Popular.
 
29 de Abril

Concerto de órgão e voz: Nicolas Roger, organista titular do Mosteiro de AroucaÉric Saint-Marc, organista titular da igreja de Saint Jacques de Pau (França)Cecília Blais-Manzoni (soprano)
17h00 | Cadeiral do Mosteiro de Arouca

1 de Maio

Apresentação pública do CD "Rainha Santa" com concerto pelo grupo coral «Mille Voci» - Porto
17h00 | Cadeiral do Mosteiro de Arouca

2 de Maio

09h00 | Alvorada com o lançamento de foguetes.
09h30 | Desfile da Banda Musical de Arouca no Terreiro de Santa Mafalda.
10h45 | Acolhimento dos fiéis e devotos com concerto de órgão na igreja do Mosteiro.
11h00 | Missa Solene, presidida pelo Bispo Auxiliar do Porto, D. João Lavrador, cantada pelo Grupo Coral de Urrô e acompanhada ao órgão pelo organista titular, Nicolas Roger
14h00 | ENTREGA DA MEDALHA DE MÉRITO MUNICIPAL, Grau Ouro, à Rádio Regional de Arouca (Salão Nobre da Câmara Municipal)
15h00 | Concerto pela Banda Musical de Arouca no Terreiro de Santa Mafalda
16h00 | VISITA GRÁTIS AOS ESPAÇOS CONVENTUAIS (entrada pelo terreiro de Santa Mafalda).
17h00 | CERIMÓNIAS RELIGIOSAS E PROCISSÃO SOLENE PELAS RUAS DE AROUCA, com a representação das Irmandades e Confrarias do Concelho de Arouca e da Irmandade do Mosteiro de Lorvão.
18h30 | Continuação do concerto no Terreiro de Santa Mafalda.

Rainha Santa Mafalda

Pintura no Museu de Arte Sacra
(Arouca) - Mafalda de Portugal ou Mafalda Sanches (1195/1196 a 1/2 de maio de 1256 em Tuias), filha de D. Sancho I, Rei de Portugal e de Dulce de Aragão, recebeu em herança o nome de sua avó, a Rainha Mafalda de Sabóia, casada com o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Em 1215, celebrou-se o contrato de casamento com seu primo Henrique I de Castela. No ano de 1217, retorna a Portugal sem que o casamento tivesse se consumado, pois os laços de consanguinidade eram demasiadamente próximos, tornando o casamento nulo, mas carregando consigo o título de Rainha (de Castela).

Com a morte de seu pai D. Sancho I (1211), constava no testamento (do ano de 1210), o pedido para que o Mosteiro de Arouca fosse deixado a sua filha Mafalda. Além desta doação paterna, conseguiu ainda a Santa Rainha, que o seu irmão, agora em posição de Rei Afonso II, lhe concedesse os direitos reais e a jurisdição da Vila de Arouca, as propriedades e rendas de Estarreja e o padroado de diversas igrejas.

Brasão da Rainha
Recolhendo-se ao mosteiro de Arouca, após a anulação do casamento com Henrique I em 1217, foi hábil administradora, aumentando os bens fundiários, privilégios e renda da comunidade, revitalizando o mosteiro feminino de Arouca. Como padroeira, substituiu no ano de 1224, a regra de S. Bento pela de São Bernardo (Cister). Viveu no mosteiro entre 1217 e 1256.

Após a sua morte, logo ganhou fama de santidade. Em 1616 na abertura e exumação de seu túmulo pelo Bispo de Lamego, seu corpo foi encontrado incorrupto, gerando uma onda de fervor religioso. Iniciava-se o processo de beatificação. O seu túmulo e datado do Séc. XVIII, e se encontra dentro da capela principal do Mosteiro.

A 27 de Junho de 1793 foi beatificada pelo Papa Pio VI, sendo actualmente venerada sob o nome de Rainha Santa Mafalda, cuja festa litúrgica se celebra a 2 de Maio em toda a Igreja Católica e feriado municipal de Arouca em homenagem a sua padroeira.

domingo, 22 de abril de 2012

Espetáculo "Vivências" (2)


(Arouca) - Já o sol raiava, e os habitantes das aldeias do concelho de Arouca andavam á muito a trabalhar. O gado era o primeiro a ser acomodado, seguindo-se a vida no campo, onde trabalhavam estas férteis terras de sol a sol. Chegando a noite, a folia tomava conta destas gentes, onde as eiras eram o ponto de encontro para se divertirem no fim do dia de trabalho. As ditas eiras, davam palco a um dos mais belos repositórios das danças e cantares mais típicos desta região.

Durante a tarde do dia 25 de Março, a Santa Casa da Misericórdia de Arouca, organizou pela primeira vez um espectáculo de etnografia, mostrando a sua preocupação com os hábitos e costumes da sua terra. No âmbito de um estágio curricular da Licenciatura de Animação Cultural, Fernando Brito foi quem pensou nesta belíssima tarde.

Foram convidados dois dos mais dignos grupos representantes das tradições deste povo, o Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato e o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, que mais uma vez mostraram ser grupos com muito orgulho em  defender estas terras.
O Grupo de Fermedo, entrou em cena com uma cantiga de trabalho, “Os olhos da Deolinda”, e encenou o espadelar do linho. Entretanto enquanto as gentes de Fermedo cantavam, o Rancho da Casa do Povo de Arouca entrou delicadamente e iniciou a sua actuação com uma das mais significativas danças desta região, a “Cana Real das Canas”, seguindo-se pela “Tirana”, “Vira de Cruz, "Meu Benzinho”, “Ciranda” e por fim, como terminavam todas as noites com o mais típico vira destas terras, um Vira Valseado, intitulado “Vira da Nossa Terra”.



Foi em grande número que as pessoas aderiram a esta iniciativa, fazendo assim uma assistência muito volumosa. A nós defensores da Cultura Arouquense, agradecemos esta iniciativa aos dois Grupos Etnográficos, ao apoio da Santa Casa da Misericórdia, e sem dúvida, a toda a assistência que esteve presente. A prenda do dia, em nosso tocador de músicas, é justamente o "Vira da Nossa Terra", interpretado pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo.