sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

As Janeiras

(Arouca) - Após as festividades de Natal, e a entrada do Ano Novo, chegamos ao tempo de cantar as Janeiras. Esta festividade secular portuguesa e presente em todo país, consiste na reunião de pessoas em pequenos grupos corais, que percorrem a Freguesia ou Vila, de casa em casa, de porta em porta, a cantar e festejar o nascimento do menino Jesus, o fim das festividades de Natal e o começo do Ano Novo.

Normalmente, as músicas são conhecidas pelo grupo, carregadas de loas religiosas, quadras de gosto popular e acompanhadas por instrumentos musicais, como a pandeireta, flauta, viola, cavaquinhos, ferrinhos, acordeão e bombo.

Após se posicionar nas portas da casas e cantar uma cantiga, os janeireiros esperam por uma retribuição do patrão da casa como forma de agradecimento. As guloseimas recebidas ficam para as crianças, e os "restos" da céia ou um pequeno lanche, como rabanadas, presunto, salpicão, pães e vinho, ficam para os mais adultos.

A duração das Janeiras, ocorre aproximadamente entre os dias 1 e 6 de janeiro. Religiosamente, o dia 6 de janeiro é considerado o "Dia de Reis", que simboliza o dia que os Três Reis Magos chegaram ao encontro de Jesus recém-nascido. Alguns historiadores, atribuem o surgimento das Janeiras, em carácter Pré-Cristão, por cultos e tradições pagãs relacionados ao solstício de Inverno.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Tradições musicais e outras de Natal em Arouca

(Arouca) - Na continuação das recolhas e gravações realizadas pelo grupo "Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", fica aqui um pequeno excerto sobre os costumes natalinos em Arouca. Os cantares, ficam a cargo do Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

R.F. da Casa do Povo de Arouca - Cana Verde Remada

(Arouca) - A Cana Verde Remada apresentada pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, é uma dança de roda de movimentos simples. Os rapazes passeiam de roda entre as raparigas, consoante as quadras, e, desta forma, percorrem por quase toda a roda. Os homens através destes movimentos, não possuem um par dançante fixo.

As quadras alternadas entre homens e mulheres, além de nos remeter a aspectos da natureza e/ou agrícolas, denotam uma troca de ataques e por fim um grande gracejo por parte do rapaz para com a rapariga.

O acompanhamento musical é composto de instrumentos como a concertina, violas, cavaquinhos, bombo, cantador e cantadeira.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

C.E. de Moldes - Vira Bom

(Arouca) - "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", é uma iniciativa coordenada e realizada por Tiago Pereira em conjunto com a colaboração de aproximadamente 20 pessoas. Tem como objectivos, recolher, organizar e divulgar a variedade cultural, musical e popular portuguesa, de forma peculiar, através dos seguintes pontos:

- Celebrar a maravilhosa variedade da música portuguesa.
- Trazer a música para a rua.
- Divulgar a música portuguesa e o autor português.
- GOSTAR da música portuguesa e aumentar-lhe o ego.

Como não ficarmos honrados com tal trabalho?

Dia 09 de dezembro, gravado no lugar de Moldes, Tiago Pereira com a colaboração de Rosa Pomar, estiveram em Arouca junto ao Conjunto Etnográfico de Moldes, a colocar algumas "cantas", com uma moda denominada "Vira Bom".


"Bota os carneiros lá fora
Que as ovelhas já lá vão
E Vira bom, bom, bom
E Vira bom, bom, bom
E Vira bom."


Para visualizar mais obras do maravilhoso trabalho de "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", sigam e acessem as seguintes páginas: Facebook , Vimeo , Homepage

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

2º Festival da Castanha de Arouca - 16 a 18 de novembro

(Arouca) - Arouca é conhecida como a terra da castanha. Terra de frondosos castanheiros, em que a castanha também dá nome a um doce conventual, acolhe a segunda edição do Festival da Castanha, de 16 a 18 de novembro, no Pátio Interior do Mosteiro. O evento pretende homenagear uma espécie endémica da região, o castanheiro, e o seu fruto, a castanha, e o seu uso na gastronomia e doçaria regional. Mostras gastronómicas, venda de produtos regionais, música, teatro, oficinas de dança tradicional, palestras, magustos e bailes populares pontuam estes dias.

A organização do evento é da responsabilidade da Casa do Povo de Arouca, da Câmara Municipal e da AGA - Associação Geoparque Arouca.

PROGRAMA
SEXTA-FEIRA, 16 DE NOVEMBRO
15:00 às 15:45 | Jogo «Conhecer a natureza» (*)
Tenda do Pátio do Mosteiro
15:45 às 16:30 | Oficina  «Uma tarde com a castanha» (*)
Tenda do Pátio do Mosteiro
16:30 | Magusto (*)
Tenda do Pátio do Mosteiro
18:00 | Abertura da tasquinha «O Castanheiro»
Refeitório do Mosteiro
21:30 | Estórias à volta da fogueira
Terreiro de Santa Mafalda
21:30 | Concerto de música tradicional: BATE E BALA
Tenda do Pátio do Mosteiro
23:15 | Peça Teatral pelo Teatro Experimental de Arouca
Tenda do Pátio do Mosteiro
23:45 | Concerto de música tradicional: TOQUE DE CAIXA
Tenda do Pátio do Mosteiro
01:30 | Arraial
Tenda do Pátio do Mosteiro
(*) Atividades destinadas a crianças até aos 8 anos/Mediante inscrição através do nº 256943575

SÁBADO 17 DE NOVEMBRO
14:30 às 17:00 | Venda de artesanato e produtos regionais
Terreiro de Santa Mafalda
14:30 | Colóquio «A castanha»
Biblioteca Municipal
14:30 às 17:30 | Passeio BTT - ROTA DO OURIÇO E DA CASTANHA
Concentração: Terreiro de Santa Mafalda
15:00 | Jogo «Conhecer a natureza»
Terreiro de Santa Mafalda
15:45 | Oficina: «Castanha com sabores»
Terreiro de Santa Mafalda
16:00 | BEBETECA «Castanha…castanhinha» (mediante inscrição)
Biblioteca Municipal
16:00 às 18:00 | Workshop de dança tradicional
Tenda do Pátio do Mosteiro
17:00 | Showcooking da castanha
Refeitório do Mosteiro
21:00 | Estórias à volta da fogueira
Terreiro de Santa Mafalda
18:00 | Abertura da tasquinha «O Castanheiro»
Refeitório do Mosteiro
21:45 | Concerto de música tradicional: RE-TIMBRAR
Tenda do Pátio do Mosteiro
23:45 | Concerto de música tradicional: PÉ NA TERRA
Tenda do Pátio do Mosteiro
02:00 | Arraial
Tenda do Pátio do Mosteiro

DOMINGO 18 DE NOVEMBRO
10:00 às 17:00 | Venda de artesanato e produtos regionais
Terreiro de Santa Mafalda
15:00 | Jogo «Conhecer a natureza»
Terreiro de Santa Mafalda
15:30 | Peça Teatral pelo Grupo Cultural e Recreativo de Rossas
Terreiro de Santa Mafalda
15:45 | Oficina: «Castanha com sabores»
Terreiro de Santa Mafalda
16:00 | MAGUSTO TRADICIONAL
Terreiro de Santa Mafalda
16:30 | Baile de magusto
Tenda do Pátio do Mosteiro

RESTAURANTES ADERENTES (ementas especiais em todos os restaurantes aderentes): Varandinha | Assembleia Wine Bar & Restaurant | Casa no Campo | Pedrógão | Trilobite | Tasquinha da quinta | Quinta Além da Ponte | O Mota

ALOJAMENTO ADERENTE (pacotes promocionais): Hotel São PEDRO | Hotel Rural Quinta de Novais | Quinta da Vila | Quinta do Pomarinho | Vila Guiomar | Casa do Paúl

Programa sujeito a alterações.

Colaboradores: Associação Florestal do Entre Douro e Vouga, Associação de Agricultores de Arouca, Teatro Experimental de Arouca, Escola Secundária de Arouca, Grupo Cultural e Recreativo de Rossas, BTT Arouca

INFORMAÇÕES: Tlm.: 917372470 (Casa do Povo) | Tel.: 256940220 (Câmara Municipal de Arouca)

Castanhas, Magusto e o São Martinho

(Arouca) - O Castanheiro é uma árvore duradoura, de folha pequena e dentada, que produz como sementes as conhecidas e apreciadas castanhas.

A castanha que comemos é uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Este fruto, nasce à partir dos 5 a 8 anos de vida da planta, mas só depois de aproximadamente duas décadas, é que sua frutificação passa a ser regular.

Consideradas, actualmente, quase como uma “guloseima” de época, as castanhas, em tempo idos, constituíram um nutritivo complemento alimentar, substituindo o pão na ausência deste, quando os rigores e escassez do inverno se instalavam. Cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular, cujo aproveitamento remonta à Pré-História.

Existem 2 tipos de castanheiro - o bravo e o manso - consoante a forma de regeneração e o tipo de exploração que se pretende. A um povoamento de castanheiros mansos, vocacionados para produzir castanhas, dá-se o nome de souto e a um povoamento vocacionado para produzir madeira, dá-se frequentemente o nome de castiçal. Para a obtenção de um castanheiro manso, enxerta-se uma pequena árvore do castanheiro bravo.

Magusto

O Magusto é uma festa ou encontro popular, cujas formas de celebração divergem um pouco consoante as tradições regionais. Grupos de amigos e famílias juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam castanhas para comer, bebe-se a jeropiga, água-pé ou vinho novo, fazem-se brincadeiras, as pessoas enfarruscam-se com as cinzas, cantam-se cantigas. O magusto realiza-se em datas festivas: no dia de São Simão, no dia de Todos-os-Santos ou no dia São Martinho. Inúmeras celebrações ocorrem não só por Portugal inteiro mas também na Galiza (onde se chama magosto, em galego) e nas Astúrias.

Lenda de São Martinho 

Diz a lenda que Martinho, nascido na Hungria em 316, era um soldado. O seu nome foi-lhe dado em homenagem a Marte, o Deus da Guerra e protector dos soldados.

Certo dia de Novembro, muito frio, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola. Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.

Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a bênção dum sol quente e miraculoso. É o chamado "Verão de São Martinho"

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Centro de Interpretação das Pedras Parideiras

(Arouca) - Será inaugurado no próximo dia 03 de novembro às 15:30, o Centro de Interpretação e o núcleo museológico das Pedras Parideiras. A estrutura também é composta por um percurso pedonal de visita, em torno da pedra principal de afloramento. Obra orçada em cerca de 190 mil euros, financiada em cerca de 60% pelo programa PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural), medida 3.1, gerido localmente pela ADRIMAG.

Pedras Parideiras da Castanheira

(Arouca) - Na aldeia da Castanheira, freguesia de Albergaria da Serra, ocorre o mais famoso fenômeno geológico de Arouca, conhecido por Granito nodular da Castanheira ou de maneira popular por Pedras Parideiras.

As Pedras Parideiras. são fruto de um fenômeno geológico raro, onde um pequeno tipo de pedra, se desprende de uma rocha maior, denominada rocha-mãe.

Os nódulos (encraves ou jogas) que se separam, possuem de 1 a 20 cm. de diâmetro, e são compostas pelos mesmos elementos mineralógicos do granito. Estes nódulos ao se desincrustarem dos núcleos da rocha-mãe, deixam uma camada externa em baixo relevo e espalham-se à volta desta. Transformadas a cerca de 280 a 320 milhões de anos, encontram-se sempre emparelhadas em rocha mãe e filha, que se vão soltando com a erosão dos tempos.

O granito da Castanheira é considerado uma "anomalia" do granito da Serra da Freita. Em 1993, três geólogos do Reino Unido publicaram um estudo sobre a génese deste granito. Concluíram que a sua formação terá ocorrido devido à separação, na fase final da cristalização magmática do granito, de um fluido cloretado rico em voláteis. No processo ter-se-à gerado um gradiente químico na interface magma / bolha de voláteis, que favoreceu a complexação e a mobilização de ferro do magma residual. A bolha, menos densa que o magma, terá ascendido, ficando como que a flutuar no tecto desta porção da câmara magmática.

Este tipo de granito é único em Portugal e raro no mundo. Estão situadas na Serra da Freita em Portugal e na Rússia, perto de S. Petersburgo. Por se tratar de um fenômeno raro, pede-se aos visitantes destes locais que não recolham pedras para uso pessoal. Mitologicamente as Pedras Parideiras simbolizam a fertilidade na tradição da região, ainda presente nas crenças locais. Acredita-se que dormir com uma pedra parideira debaixo da almofada, aumenta a fertilidade.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

68º Feira das Colheitas - "Instantâneos"

(Arouca) - Chega ao fim mais uma edição da Feira das Colheitas. A festa e feira mais aguardada do ano, seja em nosso Concelho ou Distrito, tem o poder de crescer, se reinventar e divulgar a cultura e vida do povo arouquense, misturando aspectos do passado ao presente.

Em uma Vila renovada e levemente modernizada, a Feira das Colheitas sofreu um enorme salto de qualidade, seja nos aspectos visuais, estruturais e consequentemente, na qualidade de tudo que nos foi apresentado. Deixamos registados em imagens os instantâneos deste ano. Ansiosos, esperamos a próxima edição, desejando os melhores votos econômicos e festivos, sem nunca perder a simplicidade e alegria do povo arouquense.

Fotos: Município de Arouca/ Flanklim Ferreira - Montagem: António Gabriel (Folclore de Arouca)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

68º Feira das Colheitas - 27 a 30 de setembro 2012


Pressione para ampliar

Feira das Colheitas - História

(Arouca) - A primeira edição da Feira das Colheitas aconteceu no ano de 1944. Em meio a Segunda Guerra Mundial, a produção de alimentos era excassa. A fome, situação constante na vida dos agricultores, era fator agravante.

Para contornar o problema, o Grêmio da Lavoura presidido por António de Almeida Brandão, criou a Feira das Colheitas. Com o objectivo de incentivar a produção agrícola, foram criados quatro concursos: Melhor Seara, Melhor Fruta, Melhor Adega e Melhor Linho. Integrou-se o concurso já existente da Raça Bovina Arouquesa, tornando estas cinco competições, os pilares fundamentais e incentivadores da feira. 

O concurso da Melhor Seara, foi o que trouxe rapidamente melhores resultados. Permitiu um grande intercâmbio de técnicas e experiências, gerando imediato aumento da produção de cereais.

A Feira das Colheitas serviu de arranque ou incentivo a associações locais, de acordo com o segmento agrícola, industrial ou cultural da região. As tradições populares, foram acrescentadas na programação do evento na forma de Exposição de Artesanato e na criação de grupos regionais que recriavam costumes e tradições pouco praticadas ou praticamente extintas no concelho.
 

Cartaz - 1976
Santa Eulália, Chave, Rôssas, Moldes e Canelas foram as freguesias que organizaram os primeiros agrupamentos. Em um primeiro momento, o improviso quanto a prática e a técnica folclórica, serviu de guia para estes grupos. Mas esta iniciativa inovadora, motivou a criação e/ou a manuteção dos Grupos Folclóricos nascidos em 1944, muitos deles existentes até hoje. 

Com o passar dos anos, a Feira das Colheitas deu nova forma às Exposições, que foram muito enriquecidas em qualidade e variedade de produtos, ajustando as normas dos concursos a novas realidades, imprimindo à festa mais brilho e colorido, sem nunca esquecer que a mesma se há-de basear no regionalismo e ter no folclore um dos seus pontos altos.
 
Albano Ferreira, etnógrafo arouquense, relata o sucesso que a Feira das Colheitas já tinha após 16 anos da sua fundação em 1944:
 

"A Feira das Colheitas deixou já de ser um acidente na vida do concelho, porque se tornou no acontecimento, na «realidade» da nossa terra. O que ontem foi ou teria sida uma tentativa ou uma experiência transformou-se já numa tradição radicada, que não pode perder-se nem abastardar-se, mas antes manter-se viva e engrandecida. É hoje, sem dúvida, a maior festa - porque de festa, afinal, se trata - a mais querida e ansiada de toda a gente: - para os lavradores como obra sua e revelação das suas possibilidades e do seu esforço; para o comércio a única oportunidade grande para o seu negócio; para a gente moça ocasião de mostrar as suas graças no palco da Praça e para os forasteiros motivo de atracção ou curiosidade ou, como hoje se diria, de cartaz de uma terra antiga e cheia de tradições". (Albano Ferreira, em Jornal «Defesa de Arouca», nº274, Ano 6 (2ªSérie), 8 de Outubro de 1960) 

Antonio de Almeida Brandão, escreveu posteriormente alguns detalhes que captou no primeiro ano de Feira das Colheitas, em 1944. Segue trecho a seguir: 

"Os organismos da Feira das Colheitas prestaram ao folclore esse enorme serviço – um altíssimo serviço – fazendo ressurgir das cinzas do passado os costumes, as danças, os cantares e o próprio trajo, há muito em desuso. E os futuros ranchos, todos eles, aqui vieram receber o seu baptismo na prática do folclore.Uma excepção apenas existiu e essa deu-a um pequeno núcleo de gente serrana, vivendo isolada no alto da Freita, lugar do Merujal, onde nunca deixou de se praticar o mais puro e genuíno folclore. Dirigidos pelo velho Joaquim Campos, contador de nomeada, agora cego e doente, sempre requestado para todas as funções de aldeias de mais fama no seu tempo, ali, no ponto mais alto da Serra da Freita, nunca deixou de se cantar e dançar a primor as lindas modas da região. Os outros ensaiaram-nas e aprenderam; estes beberam-nas com o leite materno.

Quando, pela primeira vez, o Rancho do Merujal – este, sim, que foi sempre um verdadeiro ranchos e apresentou na Feira das Colheitas, os homens rudes com o seu fato de burel, coçado de o trazerem a uso, e as mulheres vestidas de saia de serguilha, a cheirar ao avelhum dos seus rebanhos, mas dançando e cantando a preceito, a surpresa foi enorme e os aplausos irromperam vibrantes, parecendo não mais ter fim.

O Senhor da Pedra, o Malhão, o Verdegar, o Vira da Serra, e tantas outras modas que fizeram a delícia dos nossos avós e ainda apreciamos, sempre tiveram no Rancho do Merujal um intérprete fiel e expressivo, como é raro encontrar-se. Desta maneira, ele foi exemplo e mestre de tantos que com este afamado grupo aprenderam a praticar o folclore." 

De 27 a 30 de setembro de 2012, Arouca tem muito para oferecer a quem vos visita: Produtos do Campo, Gastronomia e Doçaria tradicional e conventual, Artesanato, Música, Dança, outras Expressões Artísticas, Criatividade, Trabalho, Lazer e espírito Empreendedor. Sejam Bem vindos!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Festa em honra da Srª da Mó - 7 e 8 de setembro 2012

(Arouca) - Situa-se, por estrada, a 8 Km. da Vila de Arouca. Eleva-se rapidamente à altitude de 711 m. Do seu cume desfruta-se uma deslumbrante vista panorâmica sobre o vale de Arouca. No seu ponto mais elevado existe uma capela dedicada a Nossa Sra. Da Mó, de contornos muito característicos e que se presume ser do séc. XVI. A festa em honra de Nossa Sra. Da Mó, comemora-se nos dias 7 e 8 de Setembro.

Desde os primeiros séculos que os fiéis, para louvarem a Mãe de Jesus, lhe dedicaram mosteiros, capelas, igrejas e basílicas, onde é invocada com diversos títulos marianos, conforme as etimologias das preces ou das graças recebidas. Entre muitos outros, contam-se os nomes de Nossa Senhora da Esperança; das Febres; do Leite; da Boa Morte; dos Milagres; do Parto; da Vida; do Amparo; da Saúde; da Confiança e do Bom Sucesso.

Principalmente no dia 8, ou durante todo o mês de Setembro, é designada e festejada, entre muitas outras denominações e localidades, por Nossa Senhora da Piedade (Caniçal, Machico, ilha da Madeira); dos Remédios (Lamego); da Ajuda (Arranhó, Arruda dos Vinhos); da Encarnação (Buarcos, Figueira da Foz); da Luz (Lagoa, Algarve); de Aires (Viana do Alentejo); das Dores (Ponte de Lima); da Cola (Ourique) e da Mó (Arouca).

Em Arouca, Nossa Senhora da Mó é considerada advogada dos campos, das colheitas e dos animais e protectora contra as secas e as trovoadas. Diz-se também que a Senhora «tem mais seis irmãs», por igual número serem as ermidas de invocação mariana que se avistam da sua capela, localizadas nos montes em redor: Senhora do Monte; Senhora da Laje; Senhora das Amoras; Senhora do Castelo; Senhora Guia e Santa Maria do Monte.

Outrora, durante a romaria, decorria uma feira junto da ermida, situada no alto do Monte da Senhora da Mó, acendiam-se fogueiras de pinhas, que ardiam a noite inteira, e fazia-se, segundo parece, uma procissão desde Arouca até ao santuário.

Hoje, em vez das fogueiras da noite do dia 7, o povo reúne-se na chamada «Casa da Ceia», ao lado da capela, para tomar parte na já tradicional «bacalhoada arouquense» a lembrar, talvez, os piqueniques de tempos idos. No dia 8 é celebrada missa pelas onze horas, seguida de procissão, a cumprir o ritual de dar a volta ao antigo cruzeiro.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Lenda da Casa de "Cella" - Fermedo

(ATUALIZADO) - Na continuação de nosso trabalho para a divulgação da cultura e etnografia arouquense, cometemos um grande equívoco. Ao encontrarmos recentemente pela internet, uma lenda sobre a Casa De Cela, associamos erroneamente a capela e a Casa de Cela de Urrô, com a capela de mesmo nome pertecente à freguesia de Fermedo. Fomos alertados por um leitor que apesar de "anónimo", estava correto. A partir disto, iremos transcrever por completo o texto que Pinho Leal escreveu em seu livro sobre algumas freguesias com nome de "Cella", contando-nos especialmente uma lenda sobre a freguesia do nosso Concelho:

Cella - aldeia, Douro, freguezia de Fermedo, concelho, comarca e 12 kilometros a O d'Arouca e 32 kilometros a SE do Porto, 5 ao S. do rio Douro, 230 ao N. de Lisboa, 10 fogos. Bispado do Porto, districto administrativo d'Aveiro.

É povoação antiquíssima, em frente e 2 kilometros a O d'Almançor (tambem aldeia antiquissima) entre as duas povoações o rio Arda, que aqui perto tem uma boa ponte de madeira.

"É tradição que uma senhora, morrendo-lhe um mancebo com quem estava para casar, tomou grande sentimento e jurou não casar com outro, fazer voto de castidade e encellar-se.

Andou por estas montanhas examinando um sitio que lhe agradasse, e chegando aqui, mandou fazer uma cella onde se emparedou, até ao fim de seus dias. Depois de morta foi tida por santa e se transformou a sua cella em ermida da invocação do Senhor dos Afflictos, em memoria das afflicções que a santa soffreu com a morte do seu noivo"

Tem uma capella, feita em 1420 (á custa do povo e do donatário de Fermedo) da invocação do Senhor dos Aflictos. Ha n'ella missa todos os domingos e dias santificados, dita por um capellão pago pelo povo do logar e circumvisinhos. Faz-se todos os annos uma festa e romaria, muito concorrida, á imagem de Nosso Senhor dos Aflictos.

É situada na lombada de uma serra, sem vista para outras partes (além de d'Almançor) por ser cercada de serras ainda mais altas. É terra pobre e desabrida; produz algum optimo azeite e vinho verde, muito bom; do mais pouco.

Há em Portugal mais 26 aldeias do mesmo nome, sem cousa notavel."

Fonte: PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Portugal Antigo e Moderno Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.tomo II, p. 231. Local Fermedo, AROUCA, AVEIRO.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

30º Festival Internacional de Folclore - 15 a 18 Agosto

(Arouca) - Divulgamos aqui a programação do 30º festival Internacional de Folclore organizado pelo Conjunto Etnográfico de Moldes.


Quarta-Feira | 15 de Agosto 2012
22h00 | Ronda Típica da Meadela (Viana do Castelo) e Niecieczanie Folklore Ensemble (Polónia)  Espectáculo e workshop de dança. Local: Praça Brandão de Vasconcelos

Quinta-Feira | 16 de Agosto 2012
15h00 | Palestra “O papel dos grupos folclóricos na defesa do património imaterial” por António José Gabriel (Vice-Presidente da Direcção da Federação do Folclore Português);
15h30 | Exibição do documentário “Sinfonia Imaterial” 
                                        Local: Biblioteca Municipal de Arouca                                        

22h00 | Oficina de Dança com a participação do Conjunto Etnográfico Moldes (Arouca) e do Niecieczanie Folklore Ensemble (Polónia) Local: Centro Cultural e Recreativo de Moldes

Sexta-Feira | 17 de Agosto de 2012
20h30 | Noite Gastronómica com sabores típicos de Portugal e Polónia
           | Espectáculo com o grupo Niecieczanie Folklore Ensemble
 (Efectuam-se reservas pelos nº 966 108 178 e 912 160 758)
Local: Pátio interior do Mosteiro de Arouc

Sábado | 18 de Agosto de 2012
18h30 | Desfile Etnográfico
Local: Av. 25 de Abril, Alameda D. Domingos de Pinho Brandão, Pr. Brandão de Vasconcelos
22h00 | Espectáculo de Folclore com
Rancho Folclórico de Paço de Sousa - Penafiel
Rancho Folclórico Campinos de Azinhaga – Golegã
Rancho Folclórico Poveiro – Póvoa de Varzim
Rancho Folclórico de Seia – Seia
Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses – Arouca
Niecieczanie Folklore Ensemble – Polónia
      Local: Terreiro de St.ª Mafalda

Apoios | Múnicípio de Arouca | Junta de Freguesia de Moldes | Junta de Freguesia de Arouca | Instituto Português do Desporto e  Juventude | Fundação INATEL | Agrupamento de Escolas de Arouca | Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Arouca Organização | Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Casa de Cela - Urrô

(Arouca) - A Casa de Cela, é um solar do Séc. XVIII que pelas suas características arquitectónicas interiores e exteriores, é sempre referenciada como um dos valores patrimoniais do concelho e do distrito de Aveiro. Integra um dos curiosos exemplares de casa com capela anexa existentes em nosso distrito.

A estrutura da capela é composta de cinco altares e o altar maior está ornado com talha dourada.

Atualmente a Casa de Cela foi transformada e classificada em uma unidade de Turismo de Habitação, com diversas características de época mantidas, como mobiliários, pinturas, estrutura e está localizada na freguesia de Urrô.



Telefone: 256946831
Cela - Urrô - 4540-645 - Arouca
Email: casadecela@hotmail.com


segunda-feira, 16 de julho de 2012

"Canta" - Eu venho dali de baixo

(Arouca) - Hoje podemos dizer que este gênero de patrimônio musical, apesar de permanecer na memória de muitos arouquenses, teve o seu habitat natural extinto. Músicas e cantigas que antes estavam ligadas as ativiidades diárias do arouquense, hoje são dependentes de duas situações possíveis:
  • Etnomusicólogos e Pesquisadores: Pessoas interessados em estudar a música, que para isso convidam pessoas que ainda sabem cantar e que reunem-se especificamente para este fim;
  • Situações de reconstituição: Eventos organizados por grupos folclóricos, grupos de cantares, associações ou instituições públicas.

Desta forma, não podemos dizer que o patrimônio musical arouquense ou de qualquer outra localidade portuguesa esteja desaparecido, mas sim, a sua expressão e reconstituição está dependente da solicitação de outras pessoas, entidades ou motivações que tenham objetivos próprios, muitas vezes, executadas em locais pouco ou nada semelhantes com a localidade das cantigas no passado.

A canta deste post chama-se "Eu Venho dali de Baixo". Teve a gravação efetuada no Centro Cultural de Rossas, no dia 5 de março de 2005. É uma canta de autoria desconhecida, realizada pelas seguintes senhoras: Maria Emília Brandão, Cristalina Ribeiro, Luciana Gomes, Emília Rodrigues, Carla Almeida e Maria Emília Gomes. Para ouvir, basta encontrar a música no tocador ao lado. Abaixo seguem as estrofes e uma breve análise:

Eu venho dali de baixo
De regar o meu nabal.
Inda trago uma folhinha no laço do avental
Inda trago uma folhinha no laço do avental. (1)

No laço do avental
Na renda do meu vestido.
Oh prima eu vou pra guerra deixa-me dormir contigo
Oh prima eu vou pra guerra deixa-me dormir contigo. (2)

Deixa-me dormir contigo
Numa noite não é nada.
Eu entro pelo escuro saio pela madrugada
Eu entro pelo escuro saio pela madrugada. (3)

Nem entras pelo escuro
Nem sais pela madrugada.
Que eu sou rapariga nova não quero ser difamada
Que eu sou rapariga nova não quero ser difamada. (4)

Não quero ser difamada
Nem por tí nem por ninguém.
Não quero dar o desgosto à filha que meu pai tem
Não quero dar o desgosto à filha que meu pai tem. (5)

A filha que o meu pai tem
A filha que o meu pai tinha.
Não quero dar o desgosto a minha rica mãezinha
Não quero dar o desgosto a minha rica mãezinha. (6)

Esta cantiga, está basicamente ligada a algumas caractéristicas que já abordamos aqui. Possui temática agrícola (estrofe 1), um segundo sentido da palavra (estrofe 2 e 3), as vozes que "botam" (todas as estrofes), ausência de refrão e repetição da última linha da estrofe anterior (característica das Cantas), e a preocupação das mulheres em serem difamadas (estrofes 4, 5 e 6), medo recorrente de todas as mulheres daquela época, especialmente destratadas por familiares e outras pessoas próximas. Para relembrar outras situações e explicações, podem entrar em "Canta" - No Alto Daquela Serra e Criadas de Servir.

domingo, 15 de julho de 2012

Festival de Folclore de Canelas - 21 de julho de 2012

(Arouca) - No próximo dia 21 de Julho irá decorrer nas instalações da sede do Rancho Folclórico As Lavradeiras de Canelas o "17º Festival de Folclore de Canelas".

Grupos participantes:

- R.F. As Lavradeiras de Canelas - Arouca
- R.F. de Danças e Cantares de Mazedo - Monção
- R.F. de Ancede - Baião
- R.F. As Ceifeiras de Canedo - Santa Maria da Feira
- Rancho Juvenil de Lourosa de Matos - Arouca

Programa:

18h00 - Concentração dos grupos
20h00 - Jantar convívio dos grupos participantes
21h00 - Início do Festival 

Ficam todos convidados à assistir este festival de folclore, realizado num dos locais mais emblemáticos da freguesia, o Lugar das Eiras. Envolto de casas de xisto e canastros, torna-se um ambiente ideal para a prática folclórica, nos "transportando" para alguns anos atrás, onde nossos antepassados trabalhavam, cantavam e dançavam.

sábado, 14 de julho de 2012

Festival de Folclore de Alvarenga - 28 de julho de 2012

(Arouca) - Acontece no próximo dia 28 de julho, o "28º Festival Nacional de Folclore de Alvarenga". Organizado pelo Rancho Folclórico de Alvarenga, trás à freguesia em todos os anos diversos grupos folclóricos de norte a sul de Portugal.

Este ano, o Rancho anfitrião utilizará como tema do festival o pelourinho, monumento marcante da freguesia da Alvarenga e o evento ficará marcado pelo lançamento do primeiro CD intitulado “Alvarenga, de Arouca és a Princesa”. Além do trabalho discográfico, será apresentado o novo logótipo do rancho e a apresentação da proposta de Membro Honorário para o Dr. Fernando Teles.

Grupos Participantes:

- Rancho Típico da Boa Vista – Leiria
- Associação Cultural e Recreativa “As Croceiras de Carvalhosa” – Paços de Ferreira
- Rancho Típico de Semide – Miranda do Corvo
- Rancho Folclórico “As Trigueirinhas do Pisão” – V. N. Gaia
- Grupo “Os Pauliteiros de Ossela” – Oliveira de Azeméis
- Rancho Folclórico da Casa do Povo Santa Cruz de Alvarenga – Arouca

Programa:

17h00 – Receção dos Guias/Padrinhos
17h30 – Passeio pelo centro da freguesia
18h30 – Jantar dos grupos
20h30 – Concentração dos grupos na Casa do Povo
21h00 – Desfile dos grupos. (Casa do Povo – Trancoso – Largo do Lar)
21h30 – XXVIII Festival Nacional de Folclore de Alvarenga
         – Apresentação do novo logótipo do rancho organizador
         – Lançamento do CD “Alvarenga, de Arouca és a Princesa”
         – Proposta para atribuição do Título de Membro Honorário ao Dr. Fernando Teles
         – Entrega das fitas e lembranças aos ranchos participantes
         – Início das atuações
22h00 – Rancho Típico da Boa Vista – Leiria
22h30 – Associação Cultural e Recreativa “As Croceiras de Carvalhosa” – Paços de Ferreira
23h00 – Rancho Típico de Semide – Miranda do Corvo
23h30 – Rancho Folclórico “As Trigueirinhas do Pisão” – V. N. Gaia
00h00 – Grupo “Os Pauliteiros de Ossela” – Oliveira de Azeméis
00h30 – Rancho Folclórico da Casa do Povo Santa Cruz de Alvarenga – Arouca
01h00 – Encerramento do XXVIII Festival Nacional de Folclore de Alvarenga

domingo, 24 de junho de 2012

Foto da Semana

(Arouca) - O Conjunto Etnográfico de Moldes em mais uma execução de Cantos e Cramóis nos claustros do Mosteiro de Arouca.

"Botar as Cantas"

quinta-feira, 21 de junho de 2012

R.F. de Santa Cruz de Alvarenga

(Arouca) - Alvarenga é uma freguesia do Concelho de Arouca, Distrito de Aveiro, tendo já em determinado momento da sua antiquíssima história, ostentado o título de concelho. A localidade situa-se num vale de rara beleza, na proximidade do rio Paiva, considerado um dos rios mais límpidos da Europa, sendo visitada por numerosos turistas que procuram as suas paisagens, as frescas águas do rio Paiva e outros locais de interesse como a Carreira dos Moinhos e o Pelourinho, ou na parte da gastronomia, o famoso Bife à moda de Alvarenga.
  
O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Alvarenga, uma das muitas associações existentes na freguesia, nasceu em 1974, por ocasião de umas marchas populares realizadas na época do Carnaval. Embora a região de Alvarenga pertença em termos etnográficos, às Terras de Santa Maria, a grande proximidade das Terras de Montemuro leva que o folclore da zona mostre uma harmoniosa combinação de ambas as influências, tanto ao nível das danças como dos cantares.

 
Um dos maiores atractivos nos espectáculos do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Alvarenga reside nos trajes envergados pelos seus elementos. Tanto os trajes, como as danças e cantares do grupo, são resultado de minuciosas recolhas feitas pelos elementos do rancho, tanto entre a população da freguesia como no Cancioneiro de Arouca.


Tem como danças tradicionais a Contradança, a Cana Verde, a Tirana, o Suspiro, o Minério e muitas outras. Realiza outras atividades anuais como as Janeiras, Marchas Populares, Desfolhadas, Matança do Porco e Bailes à Moda Antiga. Está sediado na Casa do Povo de Alvarenga, possuindo cerca de 50 elementos e é filiado no INATEL.

No vídeo abaixo, temos a execução do Rancho de Alvarenga dançando a "Tirana". Ao lado, em nosso tocador de músicas, encontram o "Vira Corrido".



sábado, 16 de junho de 2012

"Canta" - No alto daquela Serra

(Arouca) - No passado, a canta, também designada por cantada ou cantiga, definia uma prática performativa muito comum no Concelho de Arouca, onde a agricultura constituía uma atividade central das populações locais.

As tarefas agrícolas que implicavam a presença de muitos participantes, como as que estavam associadas ao cultivo do milho, do linho, ou do vinho, propiciavam momentos de encontro coletivo onde se reuniam, por vezes, cerca de 20 a 30 pessoas.

O canto, sobretudo nas atividades que não implicavam um esforço físico muito intenso, constituíam um modo de comunhão solidária entre os participantes que assim partilhavam repertório e também o construíam improvisando. As histórias que as cantas contam, são também, argumentos mais do que suficientes para transformar o trabalho mais difícil, em tarefas menos duras.

De característica bastante mordaz, por vezes até malicioso, sempre escondido por um segundo sentido das palavras e das frases, as cantas eram também formas de divertimento sobretudo entre as mulheres.

Atualmente, pode-se encontrar as cantas em diversas situações, tanto nos grupos folclóricos, como  nas desfolhadas coletivas realizadas nas freguesias, como lembrança de um passado agrícola mais pujante, manual e colectivo.

A flexibilidade na execução do cantar, reflecte-se fundamentalmente no modo como as vozes podem ou não se acrescentar à melodia principal que mantem-se de forma mais estática, independente dos seus intérpretes. O acto de acrescentar vozes progressivamente mais agúdas em relação à voz inicial, designa-se por "botar".

As vozes que "botam" não são previamente combinadas. É normalmente durante a performance do primeiro intérprete, que começam a entrar os outros cantadores, deixando de ser uma música de uma voz (uníssona), para cantas de duas ou três vozes.

A ausência de refrão é também uma característica comum à maioria das cantas, sendo recorrente a técnica de iniciar as estrofes repescando o último verso da estrofe anterior.

Para ilustrar esta postagem, fica uma gravação efetuada no Centro Cultural de Rossas, no dia 5 de março de 2005. É uma canta de autoria desconhecida, realizada pelas seguintes senhoras: Maria Emília Brandão, Cristalina Ribeiro, Luciana Gomes, Emília Rodrigues, Carla Almeida e Maria Emília Gomes. Para ouvir, basta encontrar a música no tocador ao lado. Abaixo segue a estrofe:

No alto daquela serra
Está lá um lenço, está lá um lenço de mil cores.
Está dizendo viva, viva-ai
Morra quem, morra quem não tem amores.

domingo, 10 de junho de 2012

Festival de Folclore de Arouca - 4 de Agosto 2012

(Arouca) - Realiza-se no próximo dia 4 de agosto, o Festival de Folclore organizado pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca.

Como parte da programação, haverá a recepção aos grupos participantes, o jantar convívio e o desfile pelas artérias principais da Vila. As representações estarão localizadas no Terreiro da Rainha Santa Mafalda.

Os grupos participantes e suas regiões são:

  • R.F. da Casa do Povo de Arouca - Douro Litoral Sul
  • R.Infantil da Casa do Povo de Arouca - Douro Litoral Sul
  • R.F. de Fazendas de Almeirim - Ribatejo
  • R.F.E. de Ponte da Barca - Alto Minho
  • R.F. Almeida Garret - Rio de Janeiro - Brasil
  • G.R. de Moreira da Maia - Douro Litoral Norte
  •  Espetáculo de Samba - R.F. Almeida Garret


Além dos magníficos grupos folclóricos convidados de diversas localidades portuguesas, teremos a atuação do Rancho Folclórico Almeida Garret, proveniente do Brasil, cidade do Rio de Janeiro. Em disgressão a Portugal, trás consigo além do folclore português, um espetáculo de samba como actividade cultural brasileira.