quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Foto da Semana - Arouca +/- 1950

"É Arouca a derradeira
Deixa um vinco imorredouro,
É de todas a primeira
Pois fecha com chave d-ouro.
"

Fonte: Contributos para o futuro arquivo de Arouca - Anibal e Norvinda Assunção

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Janeiras - Espiunca - Aqui 'stamos, aqui vimos

Aqui 'stamos, aqui vimos
Cantaram: Amável Soares Vasconcelos e Maximínia Soares Ferreira -Vila Viçosa - Espiunca

1. Aqui 'stamos, aqui vimos
Meus senhores bem no sabeis.
Vimos dar as boas-festas
E também cantar os reis.
 (coro)
Pairam anjos nas alturas!
São cânticos d'amor,
Paz na terra às almas puras
No Natal do Salvador. (bis)

2. Vinde, vinde já, ó almas,
Adorar o Deus menino
Despidas de amor profano
E cheias de amor Divino.
(coro)
3.Cantemos com alegria
Nesta quadra de Natal!
Já nasceu o Deus Menino
Para Salvar Portugal.

Fonte: Arouca a Cantar as Janeiras (Cancioneiro) - Ramiro Tavares da Costa Fernandes - Moldes - Arouca

Janeiras - Cantar ao Desafio

Cantar ao Desafio
Ramaldeira - Música antiga tocada em Moldes
Cantador: Eduardo dos Santos Bastos - Boco - Arouca

O jardim é para as felores (1ª parte)
O teu é para as estrelas
O jardim é para as felores
(pausa)
O jardim é para as felores (2ª parte)
O saudar é cortesia
Boa noite meus senhores

Fonte: Arouca a Cantar as Janeiras (Cancioneiro) - Ramiro Tavares da Costa Fernandes - Moldes - Arouca

Arouca a Cantar as Janeiras

(Arouca) - O Professor Ramiro Tavares da Costa Fernandes, realizou um trabalho fantástico de recolha, e criação de um Cancioneiro intitulado: "Arouca a Cantar as Janeiras". 

Este tema, que fazia falta em nosso património cultural, nasceu a quase três décadas de recolhas, que além de valiosíssimo para a cultura local arouquense, coloca Arouca como pequeno celeiro de divulgação cultural, seja pelo carácter musical ou etnográfico. A importância deste material, pode ser comparado com o "Cancioneiro de Arouca" de Virgílio Pereira, seja pela quantidade de músicas, tanto por sua qualidade.

O Cancioneiro é composto por 154 músicas com partitura, além de um CD de pequenas gravações de 40 músicas deste mesmo cancioneiro.

O Professor Ramiro, destaca que o cantar das janeiras em Arouca normalmente acontece da seguinte maneira:
  1. A ramaldeira* anuncia a chegada a uma casa;
  2. Os cantores improvisam umas quadras;
  3. Canta-se umas cantigas com versos ao Menino (Jesus);
  4. Aguarda-se a abertura da porta de quem ouve;
  5. Recebe-se a esmola e poder-se-á petiscar alguma coisa, acompanhada de bebida. (Se o senhor da casa mandar entrar, então haverá mais algumas cantigas ao Menino e um despique entre os cantadores);
  6.  Os cantadores ao desafio, acompanhados da tocata fazem a despedida;
  7. A ramaldeira*, continuando a tocar, segue em direcção a outra casa, utilizando sempre o mesmo procedimento. Depois de terem cantado na freguesia, e por vezes também, fora dela, haverá sempre um jantar para todos, seguido de dança, utilizando os próprios instrumentos da tocata: concertina, acordeão, flauta, bombo, ferrinho, violão e cavaquinho.
* Ramaldeira - Antiga música tocada em Moldes

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

As Janeiras

(Arouca) - Após as festividades de Natal, e a entrada do Ano Novo, chegamos ao tempo de cantar as Janeiras. Esta festividade secular portuguesa e presente em todo país, consiste na reunião de pessoas em pequenos grupos corais, que percorrem a Freguesia ou Vila, de casa em casa, de porta em porta, a cantar e festejar o nascimento do menino Jesus, o fim das festividades de Natal e o começo do Ano Novo.

Normalmente, as músicas são conhecidas pelo grupo, carregadas de loas religiosas, quadras de gosto popular e acompanhadas por instrumentos musicais, como a pandeireta, flauta, viola, cavaquinhos, ferrinhos, acordeão e bombo.

Após se posicionar nas portas da casas e cantar uma cantiga, os janeireiros esperam por uma retribuição do patrão da casa como forma de agradecimento. As guloseimas recebidas ficam para as crianças, e os "restos" da céia ou um pequeno lanche, como rabanadas, presunto, salpicão, pães e vinho, ficam para os mais adultos.

A duração das Janeiras, ocorre aproximadamente entre os dias 1 e 6 de janeiro. Religiosamente, o dia 6 de janeiro é considerado o "Dia de Reis", que simboliza o dia que os Três Reis Magos chegaram ao encontro de Jesus recém-nascido. Alguns historiadores, atribuem o surgimento das Janeiras, em carácter Pré-Cristão, por cultos e tradições pagãs relacionados ao solstício de Inverno.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Tradições musicais e outras de Natal em Arouca

(Arouca) - Na continuação das recolhas e gravações realizadas pelo grupo "Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", fica aqui um pequeno excerto sobre os costumes natalinos em Arouca. Os cantares, ficam a cargo do Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

R.F. da Casa do Povo de Arouca - Cana Verde Remada

(Arouca) - A Cana Verde Remada apresentada pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, é uma dança de roda de movimentos simples. Os rapazes passeiam de roda entre as raparigas, consoante as quadras, e, desta forma, percorrem por quase toda a roda. Os homens através destes movimentos, não possuem um par dançante fixo.

As quadras alternadas entre homens e mulheres, além de nos remeter a aspectos da natureza e/ou agrícolas, denotam uma troca de ataques e por fim um grande gracejo por parte do rapaz para com a rapariga.

O acompanhamento musical é composto de instrumentos como a concertina, violas, cavaquinhos, bombo, cantador e cantadeira.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

C.E. de Moldes - Vira Bom

(Arouca) - "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", é uma iniciativa coordenada e realizada por Tiago Pereira em conjunto com a colaboração de aproximadamente 20 pessoas. Tem como objectivos, recolher, organizar e divulgar a variedade cultural, musical e popular portuguesa, de forma peculiar, através dos seguintes pontos:

- Celebrar a maravilhosa variedade da música portuguesa.
- Trazer a música para a rua.
- Divulgar a música portuguesa e o autor português.
- GOSTAR da música portuguesa e aumentar-lhe o ego.

Como não ficarmos honrados com tal trabalho?

Dia 09 de dezembro, gravado no lugar de Moldes, Tiago Pereira com a colaboração de Rosa Pomar, estiveram em Arouca junto ao Conjunto Etnográfico de Moldes, a colocar algumas "cantas", com uma moda denominada "Vira Bom".


"Bota os carneiros lá fora
Que as ovelhas já lá vão
E Vira bom, bom, bom
E Vira bom, bom, bom
E Vira bom."


Para visualizar mais obras do maravilhoso trabalho de "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", sigam e acessem as seguintes páginas: Facebook , Vimeo , Homepage

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

2º Festival da Castanha de Arouca - 16 a 18 de novembro

(Arouca) - Arouca é conhecida como a terra da castanha. Terra de frondosos castanheiros, em que a castanha também dá nome a um doce conventual, acolhe a segunda edição do Festival da Castanha, de 16 a 18 de novembro, no Pátio Interior do Mosteiro. O evento pretende homenagear uma espécie endémica da região, o castanheiro, e o seu fruto, a castanha, e o seu uso na gastronomia e doçaria regional. Mostras gastronómicas, venda de produtos regionais, música, teatro, oficinas de dança tradicional, palestras, magustos e bailes populares pontuam estes dias.

A organização do evento é da responsabilidade da Casa do Povo de Arouca, da Câmara Municipal e da AGA - Associação Geoparque Arouca.

PROGRAMA
SEXTA-FEIRA, 16 DE NOVEMBRO
15:00 às 15:45 | Jogo «Conhecer a natureza» (*)
Tenda do Pátio do Mosteiro
15:45 às 16:30 | Oficina  «Uma tarde com a castanha» (*)
Tenda do Pátio do Mosteiro
16:30 | Magusto (*)
Tenda do Pátio do Mosteiro
18:00 | Abertura da tasquinha «O Castanheiro»
Refeitório do Mosteiro
21:30 | Estórias à volta da fogueira
Terreiro de Santa Mafalda
21:30 | Concerto de música tradicional: BATE E BALA
Tenda do Pátio do Mosteiro
23:15 | Peça Teatral pelo Teatro Experimental de Arouca
Tenda do Pátio do Mosteiro
23:45 | Concerto de música tradicional: TOQUE DE CAIXA
Tenda do Pátio do Mosteiro
01:30 | Arraial
Tenda do Pátio do Mosteiro
(*) Atividades destinadas a crianças até aos 8 anos/Mediante inscrição através do nº 256943575

SÁBADO 17 DE NOVEMBRO
14:30 às 17:00 | Venda de artesanato e produtos regionais
Terreiro de Santa Mafalda
14:30 | Colóquio «A castanha»
Biblioteca Municipal
14:30 às 17:30 | Passeio BTT - ROTA DO OURIÇO E DA CASTANHA
Concentração: Terreiro de Santa Mafalda
15:00 | Jogo «Conhecer a natureza»
Terreiro de Santa Mafalda
15:45 | Oficina: «Castanha com sabores»
Terreiro de Santa Mafalda
16:00 | BEBETECA «Castanha…castanhinha» (mediante inscrição)
Biblioteca Municipal
16:00 às 18:00 | Workshop de dança tradicional
Tenda do Pátio do Mosteiro
17:00 | Showcooking da castanha
Refeitório do Mosteiro
21:00 | Estórias à volta da fogueira
Terreiro de Santa Mafalda
18:00 | Abertura da tasquinha «O Castanheiro»
Refeitório do Mosteiro
21:45 | Concerto de música tradicional: RE-TIMBRAR
Tenda do Pátio do Mosteiro
23:45 | Concerto de música tradicional: PÉ NA TERRA
Tenda do Pátio do Mosteiro
02:00 | Arraial
Tenda do Pátio do Mosteiro

DOMINGO 18 DE NOVEMBRO
10:00 às 17:00 | Venda de artesanato e produtos regionais
Terreiro de Santa Mafalda
15:00 | Jogo «Conhecer a natureza»
Terreiro de Santa Mafalda
15:30 | Peça Teatral pelo Grupo Cultural e Recreativo de Rossas
Terreiro de Santa Mafalda
15:45 | Oficina: «Castanha com sabores»
Terreiro de Santa Mafalda
16:00 | MAGUSTO TRADICIONAL
Terreiro de Santa Mafalda
16:30 | Baile de magusto
Tenda do Pátio do Mosteiro

RESTAURANTES ADERENTES (ementas especiais em todos os restaurantes aderentes): Varandinha | Assembleia Wine Bar & Restaurant | Casa no Campo | Pedrógão | Trilobite | Tasquinha da quinta | Quinta Além da Ponte | O Mota

ALOJAMENTO ADERENTE (pacotes promocionais): Hotel São PEDRO | Hotel Rural Quinta de Novais | Quinta da Vila | Quinta do Pomarinho | Vila Guiomar | Casa do Paúl

Programa sujeito a alterações.

Colaboradores: Associação Florestal do Entre Douro e Vouga, Associação de Agricultores de Arouca, Teatro Experimental de Arouca, Escola Secundária de Arouca, Grupo Cultural e Recreativo de Rossas, BTT Arouca

INFORMAÇÕES: Tlm.: 917372470 (Casa do Povo) | Tel.: 256940220 (Câmara Municipal de Arouca)

Castanhas, Magusto e o São Martinho

(Arouca) - O Castanheiro é uma árvore duradoura, de folha pequena e dentada, que produz como sementes as conhecidas e apreciadas castanhas.

A castanha que comemos é uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Este fruto, nasce à partir dos 5 a 8 anos de vida da planta, mas só depois de aproximadamente duas décadas, é que sua frutificação passa a ser regular.

Consideradas, actualmente, quase como uma “guloseima” de época, as castanhas, em tempo idos, constituíram um nutritivo complemento alimentar, substituindo o pão na ausência deste, quando os rigores e escassez do inverno se instalavam. Cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular, cujo aproveitamento remonta à Pré-História.

Existem 2 tipos de castanheiro - o bravo e o manso - consoante a forma de regeneração e o tipo de exploração que se pretende. A um povoamento de castanheiros mansos, vocacionados para produzir castanhas, dá-se o nome de souto e a um povoamento vocacionado para produzir madeira, dá-se frequentemente o nome de castiçal. Para a obtenção de um castanheiro manso, enxerta-se uma pequena árvore do castanheiro bravo.

Magusto

O Magusto é uma festa ou encontro popular, cujas formas de celebração divergem um pouco consoante as tradições regionais. Grupos de amigos e famílias juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam castanhas para comer, bebe-se a jeropiga, água-pé ou vinho novo, fazem-se brincadeiras, as pessoas enfarruscam-se com as cinzas, cantam-se cantigas. O magusto realiza-se em datas festivas: no dia de São Simão, no dia de Todos-os-Santos ou no dia São Martinho. Inúmeras celebrações ocorrem não só por Portugal inteiro mas também na Galiza (onde se chama magosto, em galego) e nas Astúrias.

Lenda de São Martinho 

Diz a lenda que Martinho, nascido na Hungria em 316, era um soldado. O seu nome foi-lhe dado em homenagem a Marte, o Deus da Guerra e protector dos soldados.

Certo dia de Novembro, muito frio, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola. Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.

Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a bênção dum sol quente e miraculoso. É o chamado "Verão de São Martinho"